quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

"No bar não se cospe no chão, nego..."

Era o bar.
O cheiro.
A toalha da mesa com tons fortes.

As bolhas subindo do fundo.
Até encontrar a espuma fina.
O suor do copo 
retratando todo aquele verão infindável.

O som ao fundo tão popular
Como é em qualquer bar 
Ritmado e tão brasileiro.
Como é de se esperar 

Era um conforto sem nome 
Sem remorso nem pesar.
Com dialetos tão típicos 
E sotaques esquecidos 
Os lugares e seu linguajar.

O confessionário boêmio
Onde a única penitência 
E pedir a conta
E a saideira. 

Agnus Aquiles 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Muro



Muro alto.
Prisioneiro.
E a tenda que protegia.
Quase se foi com o vento.

Quase foi vendaval.
Esse sorriso faceiro.
Que muro algum esconderia.

Muro alto.
Prisioneiro.
Já nem queria ser livre.
Depois da tempestade.
Grade alguma é tormento.

Agnus Aquiles

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Tela Viva



Na tela vive a tinta morta.
A tinta seca, que a tela da vida.
Na tela plana, branca, bege, rosa.
Na tinta o cheiro é morto.
Com gosto de pincel.

É viva a grande obra.
Na mão de artista aleijado.
Na tela tudo nasce.
Sem parto vermelho carmim.
Sorria Mona lisa de cabelo pranchado.
Com olhar de embaraço, se mostra pra mim. 

Agnus Aquiles 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Veste

A veste que visto me serve.
A veste que me cobre e me esconde.
A veste que me mostra como quer.

O que eu visto é como é visto de fora.
O que não insisto por medo do nada.
O que além de roupa, é casca.

Talvez um dia, vestido da verdade
Talvez, quem sabe, não sirva essa vaidade
Talvez um dia, por ai andarei nú.


Agnus Aquiles

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Passos



Passo em falso
Falso alívio
Pedra no sapato
Retiro.

Coloco
Pontos e pontos e vírgulas.
Nada é mais reticências que um caminho.
Nada é mais livre que o arbítrio.

Agnus Aquiles

terça-feira, 13 de maio de 2014

Sobre homens e lobos



Hoje solitário vaga a ermo, lobo
Outrora era homem sem planos
Com medo da vida, do mundo, dos sonhos
Hoje quatro patas, nenhum destino.

Quantas almas foram preciso pra te criar?
Lua cheia prateada te viu nascer
És tu mesmo filho da lua?
Que em quatro faces diferentes és apenas uma?
Sendo assim, lobo e homem é você
Instinto social.

Quem te fez vives?
Foi sábia a decisão de te conceber?
Eras homem ou lobo?
Pois os dois poderia ser
Isso é concedido apenas a você.

Quantos uivos a lua te saudaram?
Quantos holocaustos à ti?
Hoje és o sacrifício
Hoje quatro patas, nenhum destino.

Agnus Aquiles
(Escrito em 18/12/05)

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Inquietante




Foi um surto.
Desses de chover no pensamento.
Inundar decisões.
Perigoso.

Foi inquietante não controlar.
E ver acontecer.
Sem freios, sem medo.

Foi um surto, no susto, do nada.
Para além de qualquer barreira de controle
De qualquer empurrão aleatório.

Quando o leite derrama, só podemos limpa-lo.


                                                                             Agnus Aquiles

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Eu amarrei escadas no céu.
Com medo de cair.
Com frio no estômago.
Vazio de confiança.

Eu amarrei as cordas no firmamento.
E balançava minha fé.
Com dúvidas na mente.
Cheia de coisas para pensar.

Eu lia sobre poetas.
E escrevia em linhas tortas.
Com letras garranchadas.
Cheias de sentimentos puros.
 
 Agnus Aquiles

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Meu olho

Meu olho lacrimeja e arde.
Não vejo as linhas de raciocinio. 

Corda bamba, balança.
Esse pisca pisca que nem era natal.
Em meu olho que mente 

em várias ilusões de ótica. 
Em várias lentes 
sem contato 
contactando a leitura de nuvens no céu,
 que nem era tão azul assim...

Agnus Aquiles

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Vazio

Na falta de tudo que me faz ser o que sou.
Sou ninguém comigo.
Identidade falsa, digital vazia.
Reflexo vampirico.

Na falta de verbo que sou.
Agarro-me a qualquer adjetivo ainda não maculado.
Expresso-me com palavras mudas, procurando dentes em qualquer sorriso falso.
Como meu pensamento.

                                                       Agnus Aquiles

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Um passo ou dois.
Talvez até mais que isso.
Para entrar no paraiso que criei sozinho.
  

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Quando é musica

Quando está só, executa uma melodia inerte
Que só ele ouve
Quando sola.

lamenta aquele outrora sem nota
como sorriso tristonho do retrato de Chaplin
na parede com tinta descascada.

Do Som só ele aprende.
E prende, o que é seu de costume.
Os retratos, de fato, na parede que rebomba
o som que pra ele é musica.
 

Por mais metálico que seja
e em sua língua vira ferrugem
como leões que em seu ouvido rugem.
pra ele é musica
que só ele escuta.


Agnus Aquiles

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Mais Uma

E era por isso que talvez os bares da Avenida Afonso Vaz de Melo me acolhia com braços de mãe.
Não havia em nenhum copo de cerveja o veneno que sempre encontrava em suas palavras.
Os verões de minha juventude pacata passaram com a velocidade de viaturas barulhentas. Levaram os sonhos de sermos "rock star" ou de um dia estar ali naquele palquinho cantando Caetano ou qualquer reggae comercial.
Os cigarros que já tiveram propagandas mais atraentes continuam atraindo. Mesmo o amor, que um dia já foi filme, hoje afasta pessoas de suas vidas normais. E a relação entre os cigarros e o amor continua sendo atraente.
Tamanho era o numero de pessoas ao meu redor, que a solidão me engolia e me cuspia de volta para mais um trago, e mais um gole.
Até que lembrei que te esquecer não foi tão difícil. Difícil mesmo foi pegar meus livros e outras coisas mais que estava em posse do seu governo.
E tarde da noite, a mesma noite de bares e pessoas, de cigarros e amores, de Caetano e veneno, de você em meus pensamentos. Ainda vi que meus amigos envelheceram antes que eu os contasse sobre as pessoas que vivem no universo. Sobre os esforços que nossos pais já fizeram por nós e sobre os poetas urbanos que ainda vivem.
E tudo parecia estático naquela noite de verões e viaturas.
O casal na mesa ao lado paralisados nos olhares, o grupinho de solteironas fofocando dias de amores. A onipotente Pontífice Universidade Católica que se erguia do outro lado da avenida que era cortada por ônibus cheios de pais de família indo pra casa depois de um dia cansativo e modorrento, almejando um gole da cevada gelada que estava em meu copo.
Então, como que dono de mim mesmo, capaz de decidir meu destino nos próximos minutos. Resumo meu veredicto em duas simples palavras direcionadas ao garçom: "Mais uma".

Agnus Aquiles

Devagar

Do Jeito que andam as coisas, Muitas coisas vão andar devagar.
Com a pressa de quem não quer chegar.
Com os passos de quem não sabe andar.

Com a preguiça de um bocejar, as coisas andam devagar.
Chuva que não quer parar.
Sentimento que insisto em guardar.
Fortemente gravado nos longos minutos/séculos
Do meu viver/caminhar.

Agnus Aquiles

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Quitanda

Tem queijo sim.
Na quitanda tem pimenta.
Tem tempero de todo gosto.
Tem salça, couve, vinho do porto.

Tem beijo sim.
No cobertor a gente esquenta.
Naquele frio do mês de agosto.
Tem cama, beijo, lingua no corpo.

Tem jeito sim.
Dor forte a gente aguenta.
No beijo que parecia um soco.
Tem verdades, mentiras, e amor de novo.


Agnus Aquiles

sábado, 8 de outubro de 2011

Sobre doses (erradas) de amores (Certos)

É porque hoje se torna ainda mais presente sua presença silenciosa.
É porque ainda que viva aqui, do que adianta?
Se morta em papel passado e molhado de lagrimas.
Não me preocupo mais com o futuro.
Não entendo mais o presente.
E ainda que de presentes sustentavam o que sentíamos.
Presente foi você em todas as minhas derrotas.
Se me perguntasse o porquê de tantos tombos, responderia com a mesma tenacidade que teve quando me respondeu o porquê da despedida.
E mais que felicidade, hoje meus dias são sustentados pelo reflexo da sua ignorância.
Pelo sabor da minha vitória.
E por você em minhas memórias.
Hoje aprendi que é mais fácil vender velhas promessas
Para poder comprar novos sonhos.


Agnus Aquiles

Baralho do Tempo

Enquanto você vomitava todas aquelas palavras plebéias sobre mim.
Admirava eu seus cotovelos, joelhos e outras juntas mais.

O olhar que me enviava por e-mail
Quase automático.


E o jeito de desabotoar todas as minhas camisas de força.

Fazia com que você se tornasse todas as mães que ainda não tive e sinto falta.
Mas falta mesmo me faz aquele meu jeito sutil de derrubar todos os seus ilusórios sonhos com o futuro.
Um futuro que apenas você via.
Quando sozinha no seu quarto lia.
As cartas de um baralho velho e desgastado.

Agnus Aquiles

Paladar

Do nada tempero palavras
Servidas ao seu paladar
Pouco apurado
Pouco preocupado
Com minhas explicações sobre Sinatra.

Pra você não fiz Serenata
Nem notas falsas
Nem agudas ao seu paladar pouco apurado.

Pra você fiz um barco
Em que naveguei
No seu mar de incertezas
E decisões incertas.

O barco afundou
Me esforcei e nadei
Procurei as margens de erros em nós.

Nadei na sua sopa de letrinhas confusas
Feito anagrama
Mas o prato do dia realmente não agrada
Seu paladar pouco apurado para o amor.

A cozinha fechou
Apague a luz quando sair.

Deixe a porta aberta, por favor.

Agnus Aquiles

Cabelos

Eram pretos, bem pretos os seus cabelos.
Tão lisos que eu escorregava de encontro ao chão.
Doía.
Mas os seus cabelos menina...
Ah... Eles sim muito valia.

Era tarde dourada de sol
E o preto da minha blusa queimava.
Seu rosto como Lua em dia de sol.
O sol em seus cabelos
O que era o sol?

Pura melanina
Moça, mulher, menina
E cabelos aqueles que me enrolavam
Com belas e doces palavras
Chamadas mentiras.

E verdade
Era sua testa em meu beijo
Exigindo respeito.
Meu medo, no seu leito
Quando amanhecia.

E seus cabelos emaranhados
Tão confusos quanto suas linhas de raciocínio.
Pretos e lisos
Pouco a pouco me iludindo.